To Be Who You Are … How Feminism Liberated Me

'Be free'. Marcha das Vadias Photo  Maria Objetiva 
‘Be free’. Marcha das Vadias Photo  Maria Objetiva

 by Michelle Karen Santos for Feminist Bloggers .. translation The Free    …    I am a Pastor’s daughter and I was born in a family where everyone is evangelical, that’s how I identified myself until I was 15 years old. I always went to church, sang, prayed and was part of all the groups that were there. I was the pastor’s daughter, the girl who should set an example for everyone, especially for the other girls.

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I grew up seeing church leaders being all men, and the most that a woman could achieve was the leadership of the group of children or ladies. Rebellion is Life.. Submission is Death

The spaces were occupied by pastors who said that women should be submissive, behave like a “lady”, be careful, less gossipy, should have sex with their husbands even without wanting to, that they should have children even without wishing for them, that they should be wise and build their homes, that all women should be what the church declared they should to be.And over time I saw all the women of my life ceasing to be who they were, hiding their wills and serving men and a god, and I became a questioner.

My father told me I should not ask so many questions, and that all my disagreements about the church only showed how much I was out of the presence of God, and that annoyed me because everything he said did not answer my questions.

Marcha das Vadias de Curitiba/PR 2014. Foto de Jessica Michels no Facebook.‘Don’t limit me.. I’m all horizons’   Foto Jessica Michels 

I did not understand why our will was not respected; Of our existence being denied every day; Of being forced to have a husband and rear children; That I could not dress the way I wanted; Of not being able to have sex before marriage and to discover myself.

I was a young woman who was locked in a Christian environment, not knowing anything different, and I did not understand why they prevented me from being what I wanted, …

..until one day my questions were answered.

In 2012, already in college, I was introduced to the Women’s Feminist Collective, and there I met incredible women who showed me the way to my freedom. It was several girls from all the courses meeting every week to think of a different society, free of machismo, sexism, racism, lgbt-phobia, and .. patriarchy.

They said “a woman’s place is where she wants to be”, and everything made sense to me. I began to realize that religion was taking on a role of oppression in my life, controlling my body, my actions and my way of living, and no, I could not accept it.

One day, a companion presented me with the book “The New Woman and Sexual morals” by Alexandra Kollontai, my first book in my new feminist world, where the author finishes saying “… the look of the woman who fights against the old and decadent order of life … This look requires a response, stimulates action and constructive work, but also struggle. “,

Then it became my moment. By organizing myself politically and as a feminist militant, deconstructing and building from my experiences, I understood that feminism could liberate me, but it would be a daily struggle and a break with the oppressions of religion and people who did not accept that I was the owner of my life, my body and my desires, would be a consequence.

And that’s how I lost a lot of family, friends and friends, and I almost lost my father and my mother.

They did not accept that I wanted to be free, that I had and wanted to exercise my choices, and that since then I would make my decisions, but I resisted. It is very painful for you to lose people, especially family members, but today I know that it was part of my liberation process, sometimes for you to be happy it is necessary to break bonds.

However, I am here, a militant feminist, fighting for a society without prisons and oppressions, full of experiences that have made me the woman I am today, with the certainty that nothing could have been different and that tomorrow will be greater.10382141_657816694308474_6095030928018129146_n

My father says, “I love you, but I do not agree with your ideology” the truth is that we learned more about tolerance and love, I am a feminist and he is a pastor, I am a daughter and he is a father, but our relationship is much better today, I continue to defend the freedom of belief, and also the laity of the state.

I have had terrible experiences with religion, but I am clear that there are several who propagate a lot of love and respect, in fact we need to fight firmly against fundamentalism that puts the Democratic State of Law at risk. And about my mother, it was she who taught me about feminism, even before I knew it existed.

We are in the middle of 2016, I with my 23 years, somewhat free, full of projects, with a love that warms my cold days in Gaucho lands, and happy, very happy to have broken ties, because no matter how much it hurts, nothing hurts more than being oppressed and prevented from being who you are. And for all of us: let’s keep on fighting, until all are free.

Bibliography

KOLONTAI, Alexandra. The new woman and sexual morality. 2.ed. São Paulo: Popular Expression, 2011.

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14947523_1176178825808339_7976790339053136834_nMichelle Karen Santos  is a lawyer, feminist, abolitionist and pisciana.

http://blogueirasfeministas.com/2016/08/ser-quem-se-e-o-feminismo-que-liberta/


original  no portugués

Ser quem se é: o feminismo que liberta

Texto de Michelle Karen Santos para as Blogueiras Feministas.

Sou filha de Pastor e nasci em uma família onde todas e todos são evangélicos/as, e assim me identifiquei até os 15 anos. Sempre ia para a igreja, cantava, orava e fazia parte de todos os grupos que ali se formavam. Eu era a filha do pastor, a garota que deveria dar exemplo para todos/as, principalmente para as outras garotas.

Cresci vendo as lideranças da igreja sendo ocupadas por homens, e o máximo que uma mulher poderia alcançar era a liderança do grupo de crianças ou senhoras.

Os espaços eram ocupados por pastores que diziam que as mulheres deviam ser submissas, comportadas como uma “dama”, cuidadosas, menos fofoqueiras, que deveriam manter relações sexuais com seus maridos mesmo sem querer, que deveriam ter filhos mesmo sem vontade, que deveriam ser sábias e edificar suas casas, que todas as mulheres deveriam ser o que a igreja dizia para elas serem.

E, com o tempo, fui vendo todas as mulheres da minha vida deixando de ser quem elas eram, escondendo suas vontades e servindo aos homens e à um deus, e me tornei a questionadora. Meu pai me dizia que eu não devia fazer tantas perguntas, e que todas as minhas discordâncias em relação à igreja só demonstravam o tanto que eu estava fora da presença de deus, e isso me irritava, porque tudo que ele dizia não respondia minhas perguntas.

Eu não entendia o motivo da nossa vontade não ser respeitada; da nossa existência ser negada todos os dias; de eu ser obrigada a arrumar um marido e ter filhos; de eu não poder me vestir da forma que eu queria; de não poder transar antes do casamento e de me descobrir. Eu era uma jovem que estava fechada em um ambiente cristão, sem poder conhecer nada de diferente, e eu não entendia porque me impediam de ser o que eu queria, até que um dia as minhas perguntas foram respondidas.

No ano de 2012, já na faculdade, fui apresentada ao Coletivo Feminista Roda de Mulheres, e lá conheci mulheres incríveis que me mostraram o caminho para a minha liberdade. Eram várias garotas de todos os cursos se reunindo toda semana para pensar em uma sociedade diferente, livre do machismo, do sexismo, do racismo, da lgbtfobia, do androcentrismo, do patriarcado, elas diziam “lugar de mulher é onde ela quiser”, e tudo fez sentido para mim.

Comecei a compreender que a religião estava assumindo um papel de opressão na minha vida, controlando meu corpo, meus atos e minha forma de viver, e não, eu não poderia aceitar.


Certo dia, uma companheira me presenteou com o livro “A Nova Mulher e a Moral Sexual” de Alexandra Kollontai, meu primeiro livro no meu novo mundo feminista, lá a autora termina dizendo “… o olhar da mulher que luta contra a velha e decadente ordem de vida… (…) Este olhar exige uma resposta, estimula à ação, ao trabalho construtivo, mas também à luta.”, então aquele se tornou meu momento.

Ao me organizar politicamente e enquanto militante feminista, desconstruindo e construindo a partir das minhas vivências, entendi que o feminismo poderia me libertar, mas seria uma luta diária e o rompimento com as opressões da religião e com as pessoas que não aceitavam que eu era dona da minha vida, do meu corpo e dos meus desejos, seria consequência. E foi assim que perdi muitos familiares, amigos e amigas, e quase perdi meu pai e minha mãe.

Não aceitavam que eu quisesse ser livre, que tinha e queria exercer minhas escolhas, e que desde então eu passaria a tomar minhas decisões, mas eu resisti. É muito sofrido você perder pessoas, principalmente familiares, mas hoje sei que fez parte do meu processo de libertação, as vezes para você ser feliz é necessário romper laços. No entanto, estou aqui, formada, militante feminista, lutando por uma sociedade sem prisões e opressões, cheia de experiências que me tornaram a mulher que sou hoje, com a certeza que nada poderia ter sido diferente e que amanhã será maior.

Meu pai diz: “eu te amo, mas não concordo com suas ideologias”, a verdade é que a gente aprendeu mais sobre a tolerância e o amor, eu sou feminista e ele é pastor, sou filha e ele pai, e sim, nossa relação está bem melhor hoje, continuo defendo a liberdade de crença, e também a laicidade do Estado.10449530_657816607641816_8014627796976553549_n

Eu tive péssimas experiências com a religião, mas tenho clareza de que existem várias que propagam muito amor e respeito, na verdade precisamos lutar firme contra o fundamentalismo que coloca em risco o Estado Democrático de Direito. E sobre a minha mãe, foi ela que me ensinou sobre o feminismo, antes mesmo de eu saber que ele existia.

Estamos na metade de 2016, eu com meus 23 anos, um tanto quanto livre, cheia de projetos, com um amor que aquece meus dias frios em terras gaúchas, e feliz, muito feliz por ter rompido laços, porque por mais que doa, nada dói mais que ser oprimida e impedida de ser quem se é. E para todas nós: sigamos em luta, até que todas sejam livres.

Bibliografia

KOLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. 2.ed. São Paulo: Expressão Popular, 2011.

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Michelle Karen Santos é advogada, feminista, abolicionista e pisciana.

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